Largo do Papagaio

PRAÇA LARGO DO PAPAGAIO

Um pouco de história para contar… 

O Largo do Papagaio é um dos espaços públicos mais tradicionais e afetivos da Cidade Baixa do município de Salvador, localizado no bairro da Ribeira, península de Itapagipe, tendo como acesso principal a Av. Caminho de Areia. O largo nasceu como ponto de convivência comunitária e tornou-se referência para moradores, comerciantes e famílias que utilizam o espaço como área de encontro, lazer e circulação diária. 

Para aqueles que circulam, atentamente, pela península de Itapagipe vão perceber que as praças alí existentes, são chamadas de Largos e não de Praças. A rigor, existem diferenças técnicas urbanísticas mais detalhadas com relação a cada denominação, entretanto, apesar de ambos se tratarem de espaços públicos, os Largos se originam de áreas abertas mais livres e a Praça um espaço projetado com equipamentos de lazer e paisagismo para convivência social. Mesmo que os Largos, com o desenvolvimento urbano da cidade, tenham se tornado Praças, percebe-se que sua origem está mais ligada a espaços abertos, com ocupação espontânea para uso social e lazer da coletividade, enfim, uma característica da ocupação urbana de Itapagipe. 

Existe uma outra curiosidade que é quanto a origem do nome de como é popularmente conhecido esse Largo, “Papagaio”! Associado a histórias da região, o local mantém esse “apelido” como uma marca de identidade popular comum na história dos bairros de uma cidade que ganham nomes baseados em marcos geográficos, históricos ou mesmo nome de árvores ou acontecimentos curiosos da vizinhança. Encontramos em diversos textos sobre o tema, algumas hipóteses. Que tal conhecermos um pouco sobre elas? 

Alguns falam que a área teria sido um charco com mangues próximos. O local teria sido aterrado e, plantados ou nascidos naturalmente araçazeiros, de sementes jogadas aleatoriamente por trabalhadores. Os papagaios como gostam de araçás, iam lá para desfrutar desse cardápio natural. 

Outros se referem ao fato de que a “molecada” se divertia empinando papagaios nessa área. 

Tem aqueles que falam de peças que trabalhadores de navios traziam e deixavam no local. Essas peças eram chamadas de “papagaios”. 

Ainda existe uma versão de que era comum nos anos 1940 e 1950, a existência de diversos campos de futebol amador na nossa cidade e entre outros, o campo do Papagaio. O time, no caso, seria o Papagaio Futebol Clube e era de responsabilidade de cada clube cuidar do seu respectivo campo. Se esse clube existiu mesmo, não há comprovações, todavia, próximo ao Largo, em uma transversal da rua Visconde de Caravelas, funcionava a sede do Humaitá Futebol Clube. Nos dias de jogos, nos domingos e feriados, era uma verdadeira festa, um grande acontecimento popular! A camisa do Humaitá era toda verde, da cor prevalente dos papagaios. Seus jogadores vinham correndo da sede próxima até o campo. Pareciam uns papagaios ou periquitos voando em formação. Humaitá é o Clube do Papagaio e ficou assim conhecido. O seu campo era o Campo do Papagaio, hoje Largo do Papagaio! 

Mas, encontram-se registros em textos de Vilhena (Luis dos Santos Vilhena, 1744-1814) escritor famoso por retratar a cidade de Salvador que descreve, em Itapagipe, uma deliciosa praia chamada Papagaio, “margem de um lanço de mar, o mais pacífico que se pode imaginar e paragem assaz pinturesca e deleitável, não só em virtude das muitas fazendas e casas de recreio que bordam a dita praia, como também pelas muitas ilhotas, que pontilhavam o estuário” 

Acreditamos que, muito provavelmente, a praia e em conseqüência, o Largo e a Praça receberam o batismo em homenagem a presença dessas aves, tipicamente, brasileiras! Entretanto, cada um escolha a história com a qual mais se identifica. 

Com o constante crescimento urbano, esse local de fato, abrigou o Campo do Papagaio e posteriormente ficou conhecido como Largo do Papagaio. Mais tarde esse Largo recebeu oficialmente o nome de Praça Simões Filho em homenagem ao jornalista fundador do Jornal A Tarde, Ernesto Simões da Silva Freitas Filho. Mas, o nome Largo do Papagaio era o gosto do povo, batizado pelo povo, trazendo aquele pitoresco tão necessário à identidade do local e assim continuou conhecido até hoje. 

A década de 50 foi um período de muitas transformações urbanas na Península de Itapagipe e o Largo do Papagaio já era um grande Largo com muito verde, palmeiras imperiais, árvores, gramados, bancos de jardim e uma fonte no centro. Por ele passavam bondes, ônibus e lotações. A presença do Largo passou a ser uma referência para aqueles que se dirigiam a ponta da Península, como se fosse uma grande sala de recepção! Além de tudo isso, estavam ali localizados, contiguamente, a Escola Baronesa de Sauípe e a Rádio Excelsior da Bahia. 

Se conversarmos com famílias antigas da Península, com certeza, cada uma vai falar de memórias afetivas diversas, entre elas, na década de 60, a presença constante de “Miúda”, uma verdadeira baiana de acarajé, onde as famílias compareciam no início da noite, para saborear aqueles famosos quitutes. 

Em 13 de janeiro de 2026, a Prefeitura Municipal de Salvador, através da DESAL – Companhia de Desenvolvimento de Salvador, entregou à população de Salvador, o Largo do Papagaio, em Itapagipe, totalmente requalificado. A iniciativa da intervenção surgiu a partir do NEAPI/SEGOV – Núcleo Especial de Apoio à 1ª Infância com o apoio da Primeira Dama do Município Rebeca Cardoso Reis em um trabalho conjunto com IAB – Instituto de Arquitetos do Brasil / URBAN 95. A URBAN 95 é uma instituição vinculada a Fundação Van Leer, “organização filantrópica holandesa que trabalha globalmente para promover o desenvolvimento da primeira infância e criar sociedades mais inclusivas.” A área escolhida para a intervenção, o Largo do Papagaio, foi em função da sua proximidade com bairros populares, CMEI, escolas, de fácil acesso, por ser plana e bem frequentada pela população local e adjacente. 

Nesse contexto um dos elementos-chave para a parceria entre o IAB/Urban95 e a Prefeitura Municipal de Salvador foi a realização do Workshop Urban95: Desenho Urbano e Primeira Infância em Salvador, com a participação de diversos órgãos municipais. Com as diretrizes definidas nesse evento a DESAL desenvolveu o Projeto urbanístico/executivo. 

A intervenção ocupa uma área total de 12.595 m2, das quais 2.700 m2 destinados a Primeira Infância contemplando Parque Infantil/PCD, Parque 0 a 6 anos, Parque Naturalizado, Pista de Mountain Bike Infantil, Amarelinhas, Caminhos Brincantes e Academia Infantil; 2.530 m2 destinados às Atividades Esportivas contemplando Campo de Futebol, Quadra Poliesportiva, Quadra de Basquete, Academia de Ginástica, Academia de Musculação e Espaço de Jogos; 1.120 m2 de Ciclovia e Pista de Cooper e 6.245 m2 para as demais atividades de Academia Anti Queda, Academia de Saúde, Quiosques, Área livre para Eventos, Dog Parque, Áreas de Contemplação, Áreas Verdes, Circulações e Passeio. Entre os brinquedos da Primeira Infância, estão 3 modelos vencedores do Concurso promovido pelo IAB/URBAN 95 e produzidos pela DESAL. 

A Praça atende às Normas de Acessibilidade com destaque para a instalação de 2 mapas táteis nos dois acessos adjacentes às vias principais com QR – Code que conta história da praça. O busto original do Sr. Ernesto Simões foi reinstalado na Praça. Ao mesmo tempo, em homenagem ao seu nome popular a DESAL produziu em fibra e instalou em diversos pontos da praça figuras lúdicas de papagaios. A obra executada pela DESAL teve a participação da DSIP – Diretoria de Iluminação Pública da Prefeitura e da SEMOP, além de outros Órgãos Municipais em serviços diversos, a exemplo da SECIS e da SEMAN. 

13 de janeiro de 2026 

Prefeitura Municipal de Salvador 

Fontes: 

“Historia de Salvador nos nomes das suas ruas” 

Dorea, Luiz Eduardo 

Salvador-Ba, EDUFBA, 2006 

“Memória de Itapagipe anos 50 do século XX” 

Costa, Aramis Ribeiro 

Salvador-Ba, EDUFBA,2018 

“História de Salvador – Cidades Baixa e Alta” 

Internet – Blog, Eduardo Gantois 

Salvador-Ba, 2009